29.11.09

VAZIO


Escavas sem causa nem razão a essência como o cumprir de um destino. Percorres caminhos sozinho como uma sombra transitória dizendo que a alma é um rio desaguando nos áridos morros das quimeras.

o teu peito anda vazio
vibra como o tédio
aspira suplícios
grita de força maior

É proeminente crer numa aparição súbita perante a verticalidade dos teus olhos para não nomeares o nome das coisas em vão. Coabita em ti o enseio em descobrires a tua própria existência. Coabita em ti o nojo da miséria suja que te arranca a pele viscosa pela estranheza interminável, e insultas a manhã como se esta tivesse culpa de ter nascido cedo... E tu teres ficado só.
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Luís Mendes

28.10.09

NAS BOTAS DO EGOÍSMO


Há lugares esquecidos na terra onde as paredes são pintadas de cal. Há homens esquecidos por nós.
Há crianças desabrigadas pelas recordações despojadas pela revanche como detritos consumidos por naufrágios engolidos pela boca do mar.
Lá, nesse lugar onde as paredes são pintadas de cal procuram-se espaços no interior sapiente nas rugas dos homens, pela inclemência escondida nos jardins que a tristeza confunde como um abrigo.
Não há sol, não há luz. É como folhear um livro antigo amarelecido pelo tempo que teimou pousar na prateleira de uma estante coberta de pó. É como se 'deus' fizesse com um compasso uma circunferência que ninguém pode apagar. Talvez haja um muro contíguo que nos separe desse lugares esquecidos onde a cal dá vida às paredes! ou talvez haja na tristeza a morte como herança que faça devolver alegria aos esmorecidos rostos das crianças desabrigadas pelas recordações; ou pela memória longínqua onde ninguém se quer embrenhar.

Somos um monte de carne suportada por ossos que nos reconduzem para dentro do nosso ser. Somos as botas que desfilam o egoísmo, acabando por nos esquecermos uns dos outros em que estupidamente renegamos as nossas origens locais em prol de nós próprios.
Esquecer, não é sinónimo de recordação: porque relembrar deveria ser o nosso ofício.
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Luís Mendes

23.10.09

(...)

Preciso sempre de um corpo para no meu corpo acreditar. Embora o meu rosto esteja frio, ainda sinto calor na minha boca fechada. Distendo os meus braços ao longo do tronco e finjo-me de morto; talvez a imobilidade me tranquilize, e esta minha fingida ausência não seja mais do que um chamamento que não ouves – mas também não me custa nada fingir que estás a ouvir, e também não me custa nada fingir que te estou a chamar. Não tenho ninguém com quem falar, sinto-me só e o único inquilino que reside dentro de mim, sou eu: como se fosse possível alguém habitar dentro alguém! Somos um condomínio fechado, e ainda que de vez em quando entre dentro de ti, sabes que nunca é para ficar - muito menos com o corpo todo.
Por vezes, tento fazer recriminações à distância predominante que nos separa acabando sempre desta forma incessante que se vai tornando evidente. Sinto-me um espectro nu, aqui deitado nos braços da melancolia que me sacode a esperança que acato em poder tocar-te, como se a esperança fosse só aquilo que tenho, tendo tanto para dar.
Sou o significado unívoco desta ambígua incerteza de tanto te esperar. E finjo estar morto. E repouso os braços sobre o meu peito. E morro, e não sei se morro ou se me amesquinho a esta forte necessidade de ver na morte o teu rosto, ou no ventríloquo do meu cérebro. Não há ninguém perto de mim, só a palavra solidão - não há ninguém - só o prolixo da tua demora que me afronta. Se ao menos estivesses perto e me tentasses dizer palavras prosaicas que me fizessem prorrogar este fingimento interligado aos meus finados alentos - remeter-me-ia à nobreza do meu passado onde fomos o êxtase na periodicidade dos nossos melhores momentos. Agora, aflige-me não poder chorar, os mortos não choram, nem tão-pouco têm fio condutor para poder estabelecer a extrema capacidade em poder sonhar como os vivos sonham – como eu aqui sonho de braços encostados ao meu peito, onde foram tantas as noites que neste leito uniformizamos os nossos corpos num só corpo. Os mortos não sonham. Os que fingem estar mortos podem sonhar. Sinto por instantes um arrepio que se expande na zona erógena do meu corpo, e bocado a bocado deixo-me encantar com a absolvição do renascimento julgado por este momento vertiginoso por onde entra um feixe de luz no vestíbulo da minha alma viçosa.
Tu sabes que sim, que nada é para sempre, sendo que o melhor momento é para se considerar eterno, de eternamente. Não vale de nada fingir estar morto, não vale de nada fingir esta facção que enferma os recônditos do meu cérebro. É outono, ou talvez não, não interessa! Sei de antemão que a brevidade dos teus passos até mim é um processo moroso... estás longe, e sei que a tua vinda é diminuta. Agora de nada vale a pena fingir-, vou sair desta bolha de fingimento em que morto-vivo lento para ter tempo de te poder encontrar.
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Luís Mendes

12.10.09

VOLTAREI QUANDO ENCONTRARES O TEU DEUS NA TOLERÂNCIA DA MINHA CHEGADA

Escorro-te como areia fina por entre as mãos.
Parto sem saudar tudo o que há de mais importante.
Tanto quanto sei, existe uma quantidade de fósseis
peritos em contar-te os anos, se não chegar brevemente.
Não sei se deixo lugares tripartidos,
ou corações triunos na profundidade de quem ama
iluminações fortes pelo halo de quem tem capacidade
passível em saber distinguir os bons dos maus-tratos.
Partir é a acção de olhar em frente,
é ter a nitidez fixa no olhar,
é recuperar literalmente recordações
sem pressa de voltar espontaneamente,
pondo de parte tudo o que acontecera tempos antes.
Partir não é saudade. Saudade, é não ter como regressar.
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Luís Mendes

2.10.09

Fase de Mistério e Consternação

Há sempre um lugar com uma luz intermitente, apaga, acende, apaga, acende o desejo em ter-te nas minhas mãos, espalhando o calor pelo teu corpo por onde te escorre dos ombros o suor que goteja como lágrimas caídas da face de uma criança em pequenas deflagrações. Há sempre um lugar onde me recolho, onde o tempo me toma de assalto por entre paredes que vigiam o gonzo das portas; o cheiro humedecido das horas batidas por um relógio pendular, anunciando o tempo morto, se não vens. O canto, é meu refúgio de onde observo as sombras geométricas esbatidas no tecto como figuras monstruosas que me cospem sangue de esmalte vermelho (sim, de esmalte vermelho-sangue), tom do batom que usas nos lábios. E ajoelho-me erguendo os braços no ar pedindo aos anjos do pagode ou a quem quer que me conceda o alívio desta penosa afronta que revejo ao reabrir os olhos fechados de medo por esse crescimento dos monstros, com medo de os enfrentar. Não sei se saio do meu corpo, não sei se me vejo rebolar com contracções paralelas ao meu corpo, porque não sei se o meu corpo saiu do meu próprio corpo, ou se é apenas paranóia, ou se não existe paranóia, ou se tenho contracções intrínsecas – remetendo à ansiedade exorbitante de te ver chegar de onde não vens.

Há esmalte vermelho no chão, é vermelho, é vermelho, seco, seco como sangue sem oxigenação que agora me asfixia, desfaleço. O corpo torna-se gelado, macilento, lívido como a lividez de um cadáver deitado numa caixa feita por homens que afeiçoam madeira dando-lhe o nome de caixão que recupera a esperança do ser humano na ida para um lugar melhor do que aquele em que vivemos, eu, não creio, não acredito que nessa aniquilação total dos sentidos, iremos para um local divino, porque até em vida não somos nada, nada. E não vens.
Se viesses agora, não te conseguiria dizer aquilo que sinto, porque nem a mim me sinto desfalecido neste soalho flutuante que difunde esta fosca nitidez que se acentua no tempo da tua chegada. O telefone não toca, não me chama como as vozes chamam à espera que as outras vozes respondam: sim, sou eu,

- lembras-te de mim, não?
- não!!!
- como pudeste esquecer-te de mim em tão curto espaço de tempo?
- como?!?
- sim, daquela noite em que de frente para a lareira o lume aquecia os copos de vinho que nos aquecia a nós onde nós nos aquecíamos sem vacilo nem preconceitos, lembras-te?
- como se chama? Com quem deseja falar?
- ora, não brinques comigo, Artur
- Artur!?! Não me chamo Artur! Está com toda a certeza equivocada
- peço desculpa, foi engano

(o telefone não toca, ninguém o faz tocar),

o mundo torna-se irregular, torna-se frágil, insípido, não há pássaros nem cores nem nada. Só monstros esbatidos no tecto, só as paredes humedecidas pelo tempo, um rádio que não toca, o telefone, o tic-tac do relógio pendular que não ouço deitado neste soalho, e os ácaros, os ácaros que te poderiam ir buscar, mas não vão. E tu não vens.

(…)
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Luís Mendes
Excerto do conto “Fase de Mistério e Consternação”

28.9.09

NOITES HERMÉTICAS

Indagar o mistério patriarcal do lume, é ostentar a dissipação pelos destinos atávicos dos ecos vindos do fundo. É procriar na atmosfera múltiplas evocações apelando à morte das herméticas noites onde se ama depressa, sendo devagar.
A memória parece estar isolada do que é errado, não tem forma de percorrer recordações estáticas, não tem forma labiríntica, nem cessa a distinção do consciente dando assim liberdade às cascatas de sentimentos e emoções; onde hoje, simulámos a crucificação dos nossos corpos um no outro, para que a vida nos pregue neste momento, ou na eternidade.
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Luís Mendes

20.9.09

ALMA DE DUENDE


Dedicado a Sónia Sequeira,

é de súbito que encontramos no vazio o amor perfeitamente acasalado onde se procriam numerosos afectos inventando o tempero que toma conta das mais belas cores inverosímeis preenchendo assim o fundo das telas elaboradas pelos amantes despreocupados de tais actos.

Humanamente, aplaudo o fulgor vendo o prazer com que me olhas afastando o sombrear do ciumento duende que tenho dentro de mim - e renasço, vivendo com o intimo rigor aquando me sussurras palavras sacras que atravessam a vulnerabilidade do meu corpo, esmagando a heresia dos farrapos com que as rupturas vestiam a nudez da minha alma. Nada melhor para aliviar o perigo constante fecundado pelo desprazer, dando à luza melancolia. Assim me sinto. Assim me quero. Assim me detenho por completo, por inteiro.
Não é preciso abandonar as coisas que permanecem como ditames, ou sequer outras diversidades importantes que se relacionam com a liberalização de podermos pedir mais do que aquilo a que nos reservam por direito. É imperativo pedir muito e mais, pela própria cabeça que juntas contra o meu peito, onde me depositas o estímulo que me dá o prazer único caracterizado pelo amor.

Nunca voltes ao imutável lamento que o teu mundo consumou. Continuamente, suspeitamos que nada está perdido neste início. E se me chamares, não serei eu a ir ter contigo - tenho na alma a alma de um duende - e, foi por ti que ele se apaixonou.
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Luís Mendes

16.9.09

LUTO PELA HUMANIDADE

Só se balança por culpa da chuva. Só o lume a pode abrandar.
Talvez todas as palavras sejam poucas, enquanto o ser humano fizer parte duma espécie de saudade. A vida parece um terminal que nem à morte confessa. Sinto-me tão impotente em não ter poder para o confessar. Exausto, tento imaginar o deleite dos caminhos certos fugindo assim ao excesso do vazio que incompreensivelmente me dá o puído demonstrando que não existe unificação entre o que nos move e o que nos faz mobilizar. Não é necessário respeitar a liberdade, não é necessário suplantar a saudade que tenho em tocar-te com os lábios. Não é necessário entrar pelos poros do teu corpo para te desvendar. Já não acato essa esperança que me desvanece os sentimentos, como um punhado de areia fina escorrendo pelas minhas próprias mãos. Ainda hoje me habitam estilhaços que rasgam a minha alma volátil. O éter, ergue-se no vazio da noite, enquanto tento descobrir resquícios do amor na campa em que o sepultaste. Todas as imagens que tinha do teu rosto, ficaram esquecidas na espessura dos escombros. No fundo de mim.

Já não tenho tempo para alimentar saudades que o meu interior gerou. Já não tenho tempo para pertencer ao povoamento habitado pelos homens que acreditam no amor eterno, e, que pela desolação, muitos deles põem termo à vida. Para esses cobardes, o mundo acabou.

E por isso, estou de luto pela humanidade.
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Luís Mendes

10.9.09

SEM TÍTULO

Diariamente olho o mundo e os dias que morrem dando origem à escuridão primordial.
Sempre me seduziu a ideia de proliferar todas as conclusões a que cheguei dando assim origem ao absoluto. Afinal, nem sempre é fácil confrontarmo-nos com os dogmas sem termos ambição em tentar descobrir de que forma os havemos de driblar.
Nunca me situei na importância de funcionar naquilo que me é evidente – ou de menor relevância – e por isso, no que me diz respeito, tenho uma forma muito peculiar em desempenhar o meu papel na vida para que as pessoas entendam que neste mundo existe lugar para outras que apesar de iguais todas elas são diferentes.
Assim, se turva a incapacidade de deixar para trás todas as coisas que ficaram apreendidas na fronteira do nosso cérebro. Sempre gostei de dar um relativo interesse a todas as façanhas relacionadas com o conhecimento intimamente ligado ao misticismo da jeremiada divindade. Mas não o faço – não por ter medo de ferir susceptibilidades –, mas sim pela simples razão da minha mentalidade ter um símbolo de pirronismo antagónico.
Toda a estrutura que me convém nunca terá significado para quem entra no contraponto em prol da cabala. Mas não me compete a mim mudar mentalidades. Preferindo assim viver diariamente os dias que morrem dando origem à escuridão primordial. Esperando tranquilamente pelos futuros próximos que virão. Para que tudo de bom, aconteça.
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Luís Mendes

4.9.09

NÃO HÁ NADA A DIZER

Não há nada a dizer. Tudo encontrei nesta vida singular, até mesmo as núpcias dos abraços agora separados como um corte num cordão umbilical.
O mistério ardente de um sexo oposto converte-se num promontório campo de prazer sem ser eterno, ou sequer refulgente.

Podia atacar-te de madrugada com beijos em massa e abraçar-te com intensidade como se não houvesse amanhã. Podia falar a nossa língua se não estivesse inadvertidamente ocupada, dando origem a uma espécie de explosão caracterizada pelo estímulo sexual.

Não há nada a dizer. Estamos surpreendentemente ligados a um aparecimento descontinuo que nos impele a uma caça grácil onde abundam estratificações de corpos em busca de defesas devido ao lugar que a ruptura ocupa no centro da alma. Por isso, sofremos profundas lesões nesta superfície por nós ocupada. E, muito cuidado ao saltarem de ramo em ramo - porque o amor nunca nasceu, não nasce, nem nunca nascerá como as folhas nascem nas árvores.
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Luís Mendes

13.8.09

(...)

Há pessoas como tu que têm o dom de recolher prementes razões em me retirar tanto de tudo. Dou por mim a mandar beijos para o mundo inteiro e, incluindo para mim próprio. Não sei se quem ama faz o mesmo. Mas sei que ontem adormeci a teu lado com a sensação que tínhamos mudado o mundo.
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Luís Mendes

30.7.09

PIANO PERVERSO

- O que estás a tocar é Verdi?
- Não, tu não percebes… o que estou a tocar é Mozart!!!
- Desculpa a minha ignorância referente à música clássica!
- Claro que desculpo, mas não me desconcentres.
- Ensina-me a tocar.
- Ah, meu amor, tudo tem o seu devido tempo e, ainda que nunca seja tarde, creio que vais tarde demais.
- Podemos tentar?!?
- Senta-te a meu lado e começa a tocar.
- Assim?!!!
- Sim, assim meu amor!!!
- Estou-me a sair bem?
- Estarias a sair-te pior se me não tocasses… mas que bem me tocas, meu amor!!!
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Luís Mendes

28.6.09

Um voo até ti


Ei-los...
Os homens erguendo braços para o céu como se fossem asas. E com as asas, os braços. Com os braços, as asas, mesmo que não consigam voar. Voar.

Sempre existiu uma intrigante e singular capacidade em saborear as minhas abstractas recordações.
A curiosidade que mantenho relativa aos vestígios sibilares pelos aspectos antecessores de prováveis domínios que desconheço – já lhes perdi o desejo explícito em querê-los desvendar.
Já fui atacado pela ansiedade, pela morbidez e, por todos os outros perigos talvez… mas sempre ilustrei todas as naturezas comportamentais em nome de um bom espírito verdadeiro. Verdadeiro.

Já antecipei a noite predilecta e, ando à conversa com o mobilismo aleatório. Não o faço por ansiedade – Não –, faço-o pelo sabor das minhas lembranças. Faço-o para ilustrar os dias, nos próprios dias. Faço-o na perspectiva de um dia pautar a minha vida por uma vida por inteiro.

É frágil o silêncio na paisagem que vive suspensa sobre o meu caminho. Porém, já não me sinto só, nem vivo por obrigação.
As minhas mãos quando fecham uma porta, abrem-se asas para que no voo se vislumbrem todas as coisas que vivem na fúria de as querer revelar. E não é tudo. Porque assim, acredito que haja mais qualquer coisa em tons de fé. E talvez, o único motivo que não encontrei, me ajude a viver com o intuito de um dia te conseguir encontrar. A ti, mulher.
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Luís Mendes

15.6.09

Sociedade selvagem

Sempre estabeleci de uma forma evidente diálogos últimos como se fossem os primeiros.
Não me escondo, nem alguma vez me escondi.
Sou o primeiro a dar a cara ao rosto que designa aquilo que se corresponde com atitudes comandadas pela nervosa sociedade selvática em que vivo.

Foi assim que cresci.
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Luís Mendes

7.6.09

Talvez não

A importância em não te ter, já dói,
e as minhas lágrimas choram as tuas
onde já nem em mim me sinto
nesta inerte solidão…
e acendo a luz,
apagando-a de seguida
como se tivesse acabado de partir deste mundo,
do teu mundo, do nosso mundo…
e sinto-me tão pouco,
e sinto-me tão vago
nesta aragem corrente
de esperança em que nela me venha
um sussurro pairar sobre o meu ouvido
dizendo que o silêncio é tão importante
como a minúcia de nos perdermos
nos nossos próprios sentidos
ao amarmo-nos na perfeição.

Ou talvez não
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Luís Mendes